Por que ser feliz é tão difícil?
Imagine você chegando em uma festa de aniversário. Mas, em vez de bolo, comida e bebida, você é servido com…
Uma pergunta inquietante.
Mas o aniversariante não quer de você uma simples opinião. Ele quer a verdade, seja ela confortável ou não.
Isso aconteceu.
Dezesseis séculos atrás, um homem transformou sua festa de aniversário em uma investigação filosófica e marcou para sempre a história da filosofia ocidental.
O ano era 386 d.C.
Agostinho de Hipona reuniu seus convivas em um banquete para celebrar seu aniversário. Mas em vez de apenas comida, vinho e conversa fiada, ele propôs um diálogo e soltou uma pergunta:
“O que faz um homem verdadeiramente feliz?”
A resposta parecia óbvia e o primeiro a falar se arriscou: “Ora, se o homem infeliz é aquele que não possui o que quer, então é feliz aquele que alcança tudo que deseja.”
Mas Agostinho percebeu algo diferente: nem todo desejo conduz à felicidade. Há desejos que nos escravizam. O grande Cícero disse uma vez:
“Querer o que não convém é a maior infelicidade.”
Surge então a figura de Sérgio Orata, um homem rico, poderoso, cercado de tudo aquilo que poderia desejar. Ele tinha bens, tinha conforto, tinha status. Mas não tinha paz. Porque vivia atormentado pelo medo de perder o que possuía.
E é exatamente assim que muitos vivem hoje: ansiosos pelo futuro, sofrendo pelo que não têm. Ou preocupados com a possibilidade de perder o que conquistaram. Agostinho então apresenta uma verdade inquietante: A felicidade não está em possuir tudo que se quer. Está na moderação do desejo.
Sua mãe, Mônica, já sabia muito bem: “Não será por causa das coisas que possui que ele será feliz, mas sim pela moderação da sua alma.”
O homem sábio é aquele que aprendeu a colocar limites ao próprio desejo. Se possui o necessário, usufrui com gratidão. Se não possui, não se destrói pela falta. Porque sua paz não depende das circunstâncias e do acaso. Ela depende de algo mais firme, mais alto, permanente.
Ele não sofre pelo amanhã, porque sua vontade está enraizada naquilo que é eterno: a virtude, a sabedoria, a verdade, Deus. Ele sabe que a verdadeira abundância não é possuir cada vez mais. Mas precisar de cada vez menos e permanecer em paz.
Pelo diálogo que resultou na obra “De Beata Vita” (Sobre a Vida Feliz), Agostinho transformou a filosofia ocidental e a percepção da interioridade humana. Introduzindo uma síntese entre a herança greco-romana e a teologia cristã, ele moveu a busca pela felicidade do plano exclusivamente terreno e material para a esfera espiritual e transcendente.
A Terapia Literária é uma iniciativa cultural livre. Queremos construir um acervo online cada vez maior focado em autoeducação literária para brasileiros. Apoie esta iniciativa e ajude nosso projeto a crescer.
